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    Uma excelente reflexão sobre o tipo de evangelho que
    tem sido pregado hoje, com Juliano Son do Ministério Livres para Adorar

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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Sabonetes ungidos e a necessidade de uma reforma

Por: Renato Vargens
Título original: Sabonetes ungidos, a venda de indulgências modernas e a necessidade de uma reforma agora


Tenho vergonha do comércio e da barganha promovida pelos adeptos da teologia da prosperidade.

Tenho absoluta certeza que se o reformador alemão Martinho Lutero fosse vivo estaria na linha de frente contra os ensinamentos espúrios feitos por esse povo que só pensa em dinheiro. Isto afirmo baseado no fato de que tudo aquilo que os reformadores lutaram como, superstição, misticismo, idolatria, venda das indulgências, autoritarismo papal, está indubitavelmente enraizado no neopentecostalismo.

Há pouco descobri um site onde dentre outros artefatos comercializa-se sabonetes ungidos (aqui).

Caro leitor, como já escrevi anteriormente a IURD não pode ser considerada uma igreja evangélica (Aqui), mesmo porque, o que ela prega e ensina em muito se contrapõe aos ensinos do protestantismo.

Confesso que ao olhar aberrações deste povo, seus falsos profetas (aqui) bem como a moderna venda de indulgências, é inevitável não lembrar das 95 teses de Lutero. (aqui)

Prezado irmão, diante tamanha aberração falta-me palavras para retratar minha indignação! O que fizeram do cristianismo? Que evangelho louco é esse? Ora, este não é, não foi e nunca será o Evangelho do meu Senhor.

31 de outubro se aproxima e com ele a possibilidade de refletirmos à luz da história sobre o significado e importância da Reforma. Acredito piamente que os conceitos pregados pelos reformadores precisam ser resgatados e proclamados a quantos pudermos, até porque, somente assim, poderemos novamente sair deste momento preocupante e patológico da Igreja evangélica.

Voltemos ao Evangelho!

Renato Vargens
Fonte: renatovargens.blogspot.com.br

Momentos de Reflexão

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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Chega de prometer bênção

Por: Ricardo Gondim

Chega de prometer bênção. Não dá mais para aguentar tanta promessa de bênção. Como continuar ouvindo pastores a distribuir riqueza, felicidade e proteção divina em cada culto? Milagres, segundo o que dizem, chegam para todos, aos borbotões. Alcançar patamares superiores por meio de um benefício divino tornou-se quase uma obsessão. Evangélicos no Brasil, principalmente, ganharam uma voracidade incrível por socorros vindos do além. Promete-se tanta riqueza, tanta saúde física e tanto bem estar que, pelo número de campanhas de oração, o país já devia ter melhorado em vários índices de qualidade de vida. Pastores produzem tantas maravilhas que eles mesmos ficam sob suspeita. Já daria para esperar maior distribuição da renda nacional; e quem sabe, menos fila nos hospitais...

Chega de prometer bênção. A espiritualidade cristã com suas orações, ritos e expectativas não gira em torno da gula de receber benefícios celestiais. A ênfase dos evangelhos não se resume a um só tema. Jesus lembrou os primeiros discípulos que antes deles se preocuparem em salvar a vida, precisariam estar dispostos a perdê-la (Marcos 8:35). A grandeza de uma causa não é determinada pelo que seus seguidores ganham ao segui-la, mas pelo preço que eles se dispõem a pagar por ela.

Chega de prometer bênção. Os auditórios lotados de pessoas ávidas por receber uma vantagem sobre os demais favorecem egocentrismo. Há pouco vi um adesivo no vidro traseiro de um carro que dizia: “Presente de Deus”. Pensei, imediatamente: Por que Deus se mobilizaria para presentear apenas um dos seus apaniguados, mas não se incomoda em dar transporte público de qualidade para milhões de outras pessoas? Avidez espiritual cria o ciclo vicioso de quanto mais alguém promete, mais tem gente querendo receber. E essa roda não para nunca. O salmo 106 denuncia o comportamento dos judeus no tempo da libertação do cativeiro egípcio. Depois de um livramento, o povo parecia não se saciar. A cada sinal, cobrava mais uma intervenção sobrenatural. O fascínio pela próxima intervenção divina transformou-se em cobiça. O versículo 15 trás uma dura sentença: "Deus concedeu-lhes o que pediram, mas fez definhar-lhes a alma”.

Chega de prometer bênção. A Bíblia não pode ser encolhida a um estojo repleto de afirmações otimistas. Para legitimar o discurso ufanista e prático, a maioria dos pastores cita textos convenientemente sacados do Antigo Testamento; servem apenas as promessas espetaculares do período anterior ao exílio. Alguns chegam a dizer que o Eclesiastes, com sua abordagem crua, não devia sequer constar entre os livros sagrados. Esses sermões, que procuram enfatizar bênçãos, deixam de lado textos contundentes do Novo Testamento. Em muitos, os cristãos são convocados a enfrentar um mundo violento e doloroso. Jesus não dourou a pílula para os que ousavam segui-lo. Ele jamais encobriu a verdade ao advertir: "No mundo, vocês vão passar por aflições" (João 16:33). Paulo também lembrou os primeiros cristãos que eles não podiam fantasiar que viveriam numa redoma de prosperidade: "E, tendo anunciado o Evangelho naquela cidade e feito muito discípulos, voltaram… fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, por meio de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus (Atos 14:21-22). O Apocalipse deixou claro que era preciso coragem: "Não tenha medo das coisas que você terá de sofrer” (Apocalipse 2:10).

Chega de prometer bênção. Na narrativa sobre a tentação de Jesus (Mateus 4) quem se obriga verbalmente a dar tudo, se for adorado, é o diabo. A espiritualidade judaico-cristã não se estabeleceu na lógica do utilitarismo. Deus não busca relacionamento baseado naquilo que ele pode dar. Todo o amor só se estabelece na gratuidade, e em admiração mútua – inclusive o divino. No livro de Jó, Satanás fez uma acusação gravíssima contra Deus. O acusador tentou dizer que Deus só é amado porque suborna os filhos: "Porventura, Jó teme a Deus de graça?" (Jó 1:9). A narrativa poética do livro ensina que, de fato, o Senhor não era amado por suas inúmeras bênçãos sobre a vida e a família de Jó.

Os milagres carregam em si uma terrível consequência, condicionam a fé à comodidade e ao proveito. O ladrão da cruz pediu um derradeiro milagre – seguramente necessário – em proveito próprio. Se saísse daquela condição, ele teria uma prova de que Jesus era de fato o filho de Deus. O ladrão condicionou a fé a um salvamento pessoal. Crer seria uma espécie de gorjeta que o mau ladrão devolveria aos pés de Jesus, caso escapasse da morte. Jesus não lhe dá ouvidos. Se, na derradeira hora, ele não percebesse o maior de todos os milagres – Deus morrendo numa cruz – um alívio temporário não bastaria para lhe convencer de nada.

Chega de prometer bênção. A virtude cristã que se deve buscar prioritariamente é a justiça. No Sermão da Montanha, só os que têm fome e sede de justiça serão fartos (Mateus 5:6). Quando o cristianismo destaca a promoção da justiça, todas as demais bênçãos se tornam secundárias (Mateus 6:33). Aliás, não existe pregação legitimamente evangélica sem a busca do que chamamos de liberdade, direito, gentileza, solidariedade. A vida. O reino de Deus não é comida, nem bebida, mas justiça e paz e alegria no Espírito Santo (Romanos 14:1).

Quem alardeia milagre é charlatão, mero propagandista de um produto falsificado. Antes de saírem à cata de privilégios, os crentes deviam lutar para que se cumpra na vida deles, Isaías 61:3: A fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória.

Soli Deo Gloria


Pr. Ricardo Gondim
Fonte: www.ricardogondim.com.br

Momentos de Reflexão

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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O louco, o sábio e os porcos

Em uma pequena cidade habitava um prisioneiro descontrolado. Dada a sua agressividade sobrevivia isolado do mundo, ninguém ousava se aproximar dele.

Um viajante, homem sábio, justo e de bom coração, navegou até lá. Ele foi ao encontro do excluído criminoso.

Tão logo o sábio desembarcara, fora recebido pela vil criatura (ninguém mais o enxergava como gente). O encontro foi chocante, mas a paz que o sábio homem carregava subjugou toda a violência do sanguinário malfeitor. O sábio era um especialista em restauração de vidas...

Aquele ser, outrora repugnante, agora era de novo um homem. Estava livre, limpo, com seus pensamentos ordenados. Fora restaurado!

Mas no processo de cura algo fugiu à normalidade. Uma grande vara de porcos (cerca de dois mil) se perdeu, morreram afogados.

Os criadores dos porcos, vendo o homem agora são, reestabelecido e os porcos que se perderam, ficaram furiosos e não demorou até que inflamassem toda a cidade.

O desfecho da história fora trágico. O bondoso sábio fora expulso, a despeito do bem feito ao homem e de tudo o mais o que ele ainda poderia fazer naquela região.

Aquele povo esteve diante de uma decisão e ao ponderar entre o valor da vida humana e os benefícios cedidos à ela e, o valor da vida dos bichos, o povo escolheu os bichos. Entre o bom e sábio homem e os porcos, eles escolheram os porcos!

(História verídica. Leiam em Marcos:5:1-17)

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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

A dificuldade de orar

Por: Mark Jones



Oração não é fácil. Eu vejo que isso é verdade para mim, mas outros que têm meu respeito também dão testemunho da dificuldade de orar. Alguns indivíduos fazem parecer fácil; se eles passam horas por dia na tenda do encontro, provavelmente eles levam também o computador para lá.

Considere os seguintes testemunhos, que são de cheios de pensamentos que, muito curiosamente, não são normalmente ouvidos quando as pessoas dão seus testemunhos:

“Tudo que fazemos na vida cristã é mais fácil que orar” (Martyn Lloyd-Jones)

... “Não há nada em que somos tão ruins em todos os nossos dias do que na oração” (Alexander Whyte)

“Houve momentos em minha vida em que preferia morrer a orar” (Thomas Shepard)

Imagine Thomas Shepard dizendo essas palavras após ser levado para a frente da igreja para “falar sobre as coisas maravilhosas que Deus tem feito em sua vida”. Seja qual for o caso, eu considero um tanto confortante as palavras destes homens citados. De fato, leia isso de John Bunyan:

“Eu posso falar por experiência própria, e a partir dela contar-lhe sobre a dificuldade de orar a Deus como devia; isso é o suficiente para me fazer pobre, cego, carnal, para cultivar estranhos pensamentos sobre mim. Pois, quanto ao meu coração, quando eu saio para orar, eu descubro tanta relutância em ir a Deus, e quando estou com ele, tanta relutância em continuar ali, que muitas vezes, em minhas orações, eu sou forçado a primeiro implorar a Deus que ele tome o meu coração, e o coloque diante de Cristo, e quando estiver ali, que ele continue ali. Com efeito, muitas vezes eu não sei o que orar ­­(eu sou tão cego), nem como orar (eu sou tão ignorante); somente (bendita Graça) o Espírito ajudando nossas enfermidades [Rm 8.26].”

Aqui está um puritano que obviamente batalha, como muito de nós, com a oração.

Às vezes, os cristãos caem em um “círculo vicioso de oração” e acham difícil acabar com esse círculo. Não é que eles desistiram de orar, mas eles parecem desistir de gastar tempo a sós com o Senhor naquilo que os puritanos chamaram de “oração privada e fervorosa” (ver Hebreus 5:7).

Evidentemente, não há uma regra estabelecida sobre que frequência e duração devem ter nossas orações. Ainda assim, nós oramos sem cessar (1 Tessalonicenses 5:17); devemos orar em todo tempo (Efésios 6:18) e oramos subitamente por causa de necessidades e ocasiões (Neemias 2:4).

A Bíblia também nos dá exemplos daqueles que pareciam ter horários escolhidos ou específicos em que se dedicavam à oração (Mateus 6:6). Considere Daniel, que orava três vezes ao dia, “como também antes costumava fazer” (Daniel 6:10). “Subiu Pedro ao terraço para orar, quase à hora sexta” (Atos 10:9). E nosso Senhor Jesus que “retirava-se para os desertos, e ali orava” (Lucas 5:16).

Considerando que a oração é difícil, como Cristo nos motiva a orar? Em Mateus 6:6, ele promete a seus discípulos que seu Pai os recompensará pelo que eles fazem (isto é, orar) em segredo. Perceba o quanto a palavra “recompensa” aparece somente neste capítulo.

Nós precisamos nos questionar se adequadamente cremos nas palavras de Mateus 6:6. Você realmente crê – e deveríamos crer – que Deus nos recompensará? Se nós crêssemos, certamente gastaríamos muito mais tempo na oração em secreto do que fazemos. Não temos porque não pedirmos. Não pedimos porque nos falta fé (Mateus 21:22).

Fé é a mão que suplica a Deus: “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hebreus 11:6).

Cristo, o homem de fé por excelência, certamente entendeu esse conceito em sua vida de oração. De fato, ele orou por sua recompensa: “E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” (João 17:5).

Eu não sei precisamente como o Senhor nos recompensará pelo que fazemos em segredo. Algumas vezes, as respostas à oração são óbvias ou imediatas. Às vezes, ele nos recompensa ao não nos dar o que (erroneamente) pedimos. E há orações que sequer podem ser respondidas em vida (veja a oração de Estêvão em Atos 7:59-60, que pode ter resultado na conversão de Saulo de Tarso; ou perceba como a oração de Moisés para ver a glória de Deus em Êxodo 33:18 foi respondida na Transfiguração).

Mas eu sei disto:

As recompensas do Pai vêm da graça: “É chamado recompensa, mas é pela graça, não por dívida; que mérito pode haver em mendigar?” (Matthew Henry).

E ele tem prometido recompensar seus filhos quando eles oram em secreto, e somente essa motivação deveria ser o suficiente para nos levar aos nossos “quartos de oração” onde pedimos para receber.

Mark Jones
Traduzido por Josaías Jr no Reforma21
Visto primeiro em Púlpito Cristão


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terça-feira, 8 de setembro de 2015

A raiz da corrupção

Por: Markus Steiger

Nos dias atuais a palavra corrupção é constantemente usada tanto nos noticiários como nas conversas. Quando pensamos e falamos de corrupção, a relacionamos rapidamente aos governantes, políticos, grandes empresários, clubes de futebol ou partidos políticos. Mas será que a corrupção somente se resume a estas pessoas? Será que nós em nossas atividades, maneiras de pensar ou atitudes também não somos de alguma forma corruptos? Nunca ficamos com troco a mais quando o vendedor se confundiu? Nunca furamos o sinal vermelho quando estávamos apressados? Nunca olhamos e baixamos filmes e músicas de forma ilegal? ...

Estamos frequentemente procurando formas de tirar vantagem das situações ao nosso redor para o nosso próprio conforto, ou seja, estamos praticando a corrupção.

Pode-se definir o significado da palavra corrupção em 3 pontos...:

1. Ato ou efeito de corromper ou corromper-se;

2. Decomposição física de alguma coisa; putrefação;

3. Modificação das características originais de algo.

Foi justamente este terceiro aspecto que aconteceu com o ser humano. Após a criação do homem por Deus, segundo a Sua imagem e semelhança, aconteceu a queda do homem ao desobedecer a Deus no Jardim do Éden. Desde então, todo ser humano nasce em pecado, ou seja, as características originais do homem foram modificadas. Em outras palavras: o homem corrompeu-se.

A pergunta que nos vem é: “Qual é a raiz dessa corrupção?”

A Bíblia nos dá a resposta. Em Mateus 15.19-20a, ela afirma:

“Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem”.

E em Jeremias 17.9 está escrito:

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?”

Então, se todos nós estamos contaminados pelo pecado, somos todos corruptos perante Deus. Mas existe alguma saída para este problema? Há esperança para o ser humano? A raiz da corrupção pode ser cortada?

Sim, Deus mesmo providenciou a saída dando Seu próprio e único Filho, Jesus Cristo, para morrer pela nossa culpa na cruz. Lá nessa cruz Jesus levou sobre Si todos os nossos pecados e assim podemos obter perdão e uma nova vida. Se reconhecemos que do nosso coração não procedem coisas boas e aceitamos a salvação oferecida por Deus – através de Jesus – nosso coração será transformado. Ele perdoará nossos atos de corrupção e nos dará uma nova vida!

Aceite hoje mesmo esta oferta de salvação que Deus faz a você!


Markus Steiger
Fonte: www.ajesus.com.br

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terça-feira, 28 de julho de 2015

Não me odeie porque sou arminiano

Por: Roger E. Olson
Publicado em: Christianity Today, 6 de setembro de 1999


Meus amigos reformados algumas vezes me tratam como inimigo, mas na verdade precisamos uns dos outros.

Durante os grandes avivamentos do século dezoito, John Wesley e George Whitefield pararam de cooperar um com o outro devido às suas diferentes crenças acerca da predestinação. E embora eles finalmente se reconciliaram, sua divergência persiste em debates ocasionais de evangélicos americanos sobre a soberania de Deus e as doutrinas da eleição e do livre-arbítrio.

Apesar desta história, a aliança evangélica pós-segunda guerra mundial mantém juntos crentes calvinistas e arminianos dentro de um grande movimento. Pelo menos há, tanto igrejas membros da Associação Nacional de Evangélicos arminianas em sua orientação teológica, quanto reformadas...

Mas agora, sinais de grande tensão dentro da aliança estão aparecendo, incluindo uma nova estridência e agressividade da parte de teólogos em alguns círculos reformados mais conservadores. Como um inveterado arminiano assim como evangélico, e como alguém que se preocupa profundamente com a unidade da comunidade evangélica, acho que isto é muito lastimoso.

Alguns destes teólogos acham que o evangelicalismo enfrenta uma crise que se concentra na questão da predestinação. “Cristãos que negam a eleição incondicional e a graça irresistível podem ser genuinamente evangélicos?” eles perguntam. Michael Horton, professor no Seminário Teológico de Westminster, na Califórnia, afirma na revista Modern Reformation que “arminiano evangélico” não é uma opção mas um oxímoro. “Um evangélico”, ele diz, “não pode ser arminiano mais do que um evangélico pode ser um católico romano”. Até mesmo o grande reavivalista arminiano John Wesley é suspeito de uma fé evangélica defeituosa por Horton e alguns de seus colegas em duas organizações, a Christians United for Reformation (CURE) e a Alliance of Confessing Evangelicals (ACE). Estes e outros movimentos evangélicos contemporâneos buscam restabelecer e entronizar o monergismo – a crença na atividade única e soberana de Deus na salvação – como crucial ao evangelicalismo autêntico.

Em anos recentes, uma enchente de livros e artigos editados e escritos por líderes acadêmicos evangélicos reformados (como R. C. Sproul do Ligonier Ministries) têm levantado questões sobre a validade das credenciais evangélicas de todos e cada um dos protestantes arminianos que negam a eleição incondicional e afirmam a graça resistível. A ACE escreveu a “Declaração de Cambridge”, que criticou, entre outras supostas aberrações entre os evangélicos, a crença de que os seres humanos podem cooperar com a graça regeneradora de Deus.

Espero por outro período de tranquilidade entre nós que cremos na capacidade da alma de cooperar com a graça regeneradora (arminianos) e aqueles que crêem que a graça regeneradora deve preceder até mesmo o arrependimento e a fé (calvinistas).

Quando iniciei o seminário eu era filho de um pregador pentecostal convencido a me tornar um “esmurrador de púlpito” teologicamente instruído. Eu me graduei numa “aspirante” a universidade acadêmica teológica completamente evangélica pós-pentecostal. Enquanto no seminário, eu descobri que alguém poderia ser cheio do Espírito e também intelectualmente sério, aberto a pontos de vistas diversos dentro da mais ampla herança evangélica, e até mesmo teologicamente reformado! Essa revelação veio a mim através das vidas e ensino de professores como Ralph Powell, Al Glenn, Sam Mikolaski e James Montgomery Boice. Revistas como a Eternity e a Christianity Today ajudaram a transformar minha anteriormente mais estreita ideia de cristianismo evangélico “pleno” autêntico. Mas passando por isso tudo, e apesar de sérias lutas com seus problemas, eu conservei o Arminianismo de minha herança holiness-pentecostal.

Dois conselhos que aprendi do meu mentor evangélico no seminário, um batista moderadamente reformado, se fixaram especialmente em minha mente. Durante a recepção, imediatamente após a cerimônia de graduação, Ralph Powell me puxou para o lado, e da maneira mais tocante, característica de um avô, disse: “Roger, jamais perca sua excelência evangélica”. Sabendo que eu planejava continuar minha educação teológica numa universidade secular, ele não poderia pensar num conselho de despedida melhor para o seu jovem protegido. Nem eu poderia. Sempre tenho lembrado de sua exortação afetuosamente e dado meu melhor para satisfazer seu desafio.

O outro conselho veio mais cedo. Powell estava preocupado com minhas crenças arminianas um tanto firmes. Um dia ele me levou à parte e disse, “Roger, você deve saber que o Arminianismo geralmente tem levado à teologia liberal”. Como muitos teólogos reformados, ele acreditava que uma ênfase arminiana no livre-arbítrio concede poder demais à humanidade e por essa razão contém um impulso humanista. Embora apreciei sua admoestação implícita, eu sabia de minha própria experiência que isto não era inteiramente verdadeiro. Desde então, tenho me esforçado para provar que a teologia arminiana e uma excelência evangélica podem ser combinadas confortavelmente.

Teologia Tulip – fabricada na Holanda

A teologia arminiana não começou na Armênia. Na verdade, ela não tem nada a ver especificamente com aquela parte da Ásia. O Arminianismo é uma designação derivada do nome de um teólogo holandês que morreu em 1609 no auge de uma controvérsia envolvendo a doutrina da predestinação. Jacob Arminius rejeitou algumas das doutrinas do Calvinismo enquanto aceitava outras. Ele estudou sob o sucessor de Calvino em Genebra, Theodore Beza, mas veio a repudiar algumas das crenças de Beza, tais como a eleição incondicional e a graça irresistível, em favor da eleição condicional, o livre-arbítrio e a graça preveniente, resistível.

A contraparte fielmente reformada em teologia na Universidade de Leiden era Franciscus Gomarus – outro aluno de Beza – que insistia que as doutrinas que Arminius rejeitou eram partes integrantes da ortodoxia teológica reformada.

Os seguidores de Arminius na Holanda ficaram conhecidos após sua morte como remonstrantes, e alguns deles formularam um documento conhecido como a Remonstrância, no qual eles detalharam sua rejeição da teologia calvinista de Gomarus. O resumo da fé reformada de Gomarus tinha cinco pontos (a famosa fórmula “TULIP”): depravação total, eleição incondicional, expiação limitada, graça irresistível e a perseverança.

Arminius mesmo nunca negou o primeiro e o último dos cinco pontos, e seus seguidores os debateram entre si por séculos. Resumidamente afirmados, os “cinco pontos” rejeitados pelos remonstrantes significam (em ordem) que os humanos são todos (com a exceção de Jesus Cristo) nascidos completamente mortos espiritualmente e incapazes de fazer qualquer coisa agradável a Deus por causa da herança da natureza caída de Adão; Deus predestinou certas pessoas para receber perdão e vida eterna, e a seleção de Deus de forma alguma foi condicionada pelas vidas ou decisões dos eleitos; Cristo morreu na cruz para proporcionar sacrifício expiador para os pecados somente dos eleitos; Deus comunica a graça regeneradora aos eleitos de tal forma que eles não podem ou querem resistir; e os eleitos de Deus irão perseverar em estado de graça até a salvação final.

Os principais ministros reformados e líderes políticos das Províncias Unidas dos Países Baixos – das quais a Holanda era o estado mais proeminente – se encontraram no Sínodo de Dort de novembro de 1618 a janeiro de 1619 e condenaram os remonstrantes como heréticos. Dort afirmou os assim chamados cinco pontos do Calvinismo como ortodoxos e forçaram os seguidores de Arminius ou a retratar suas crenças no livre-arbítrio, eleição condicional, graça resistível e expiação ilimitada ou a serem banidos da Igreja Reformada e dos Países Baixos. Alguns líderes arminianos, tais como o estadista holandês Hugo Grotius, foram presos. Um foi decapitado. Nesses dias não era tão fácil separar teologia e política como fazemos hoje em dia.

Como resultado do Sínodo de Dort, os arminianos se espalharam para outros países e encontraram refúgio em outros ramos do Cristianismo protestante. Os menonitas e outros anabatistas já criam quase a mesma coisa sobre a eleição divina e a salvação como muitos dos arminianos: A eleição se refere ao pré-conhecimento de Deus daqueles que livremente responderiam ao evangelho conforme fossem capacitados pela graça preveniente. A teologia arminiana encontrou aceitação dentro da Igreja da Inglaterra, embora muitos nessa igreja resolutamente se opuseram a ela em favor da teologia reformada.

Gradualmente os arminianos se dividiram em dois grupos, que Alan P. F. Sell – um intérprete moderno da história da controvérsia reformada-arminiana – classifica como “Arminianismo da cabeça” e “Arminianismo do coração”. Os primeiros se inclinaram ao Deísmo e à teologia liberal. Muitos finalmente se tornaram unitários. Os últimos foram fortemente influenciados pelo pietismo alemão e enfatizavam a conversão pessoal e a santificação.

John Wesley foi o principal “arminiano do coração” no século dezoito, e seu movimento metodista foi profundamente caracterizado pela teologia arminiana do “livre-arbítrio”. Àqueles evangélicos de seu dia, que o acusavam de ter tendências humanísticas e católicas por causa de sua rejeição da eleição incondicional e da crença no livre-arbítrio, Wesley afirmou a absoluta necessidade da graça preveniente (capacitante mas resistível) de Deus para superar a ferida mortal do pecado e ter livre-arbítrio suficiente para aceitar ou rejeitar a graça salvadora responsavelmente.

Os primeiros batistas foram divididos por esta controvérsia reformada-arminiana. Os pregadores e as congregações batistas que adotaram as doutrinas calvinistas da eleição incondicional, expiação limitada e a graça irresistível vieram a ser conhecidos como “batistas particulares”, enquanto os que seguiram os ensinos arminianos foram chamados de “batistas gerais”.

Reavivalistas e seus conservos durante os Grandes Avivamentos dos anos 40 do século dezoito e início do século dezenove na América frequentemente se dividiram em tais linhas teológicas. Jonathan Edwards da Nova Inglaterra foi um gênio na defesa de uma forte visão reformada da soberania de Deus e da depravação do homem. Charles Finney, um século mais tarde, promoveu uma versão extremada do Arminianismo. Todo o Movimento de Restauração que deu origem às Igrejas de Cristo e Igrejas Cristãs Independentes era arminiano, como foi o movimento Holiness e seus descendentes, o movimento pentecostal. Ambos, Dwight L. Moody e Charles Spurgeon, por outro lado, eram calvinistas.

Todos na família

Eu fui criado espiritualmente no âmago do Cristianismo evangélico arminiano. Algumas das minhas mais vívidas lembranças da infância são de transpirar nas noites de verão debaixo do tabernáculo lateralmente aberto dos Acampamentos Nazarenos de Iowa em West Des Moines. “Santidade ao Senhor!” declarava a faixa sobre o palanque; centenas – talvez milhares – de adoradores Holiness e pentecostais, todos à minha volta, gritavam e cantavam e louvavam o Senhor até tarde da noite. Nossa própria pequena denominação pentecostal, como o maior movimento Holiness-pentecostal, era inteiramente arminiana em sua orientação teológica. A vontade universal de Deus pela salvação de todos e a liberdade de todos para crer e receber a mensagem do evangelho era fundamental à nossa visão de Cristianismo evangélico. Não havia nenhuma possibilidade da teologia liberal invadir nossa teologia. Nenhum grupo de cristãos na história jamais creu mais apaixonadamente na Bíblia como a Palavra escrita sobrenaturalmente inspirada e infalível de Deus. A santidade e a majestade de Deus eram também centrais à nossa pregação e ensino, apesar de que a soberania de Deus era interpretada como geral antes que meticulosa. Para nós, Satanás era um demônio real – um cachorro louco numa corrente longa – e de forma alguma o “Satanás de Deus”. E todavia, críamos e ensinávamos que Deus finalmente venceria a guerra espiritual cósmica e que Satanás poderia somente descarregar tanta destruição conforme Deus o permitia assim fazer.

As reuniões de família eram eventos fascinantes. Minha família mais ampla incluía, de ambos os lados, cristãos de vários pontos de vistas, e muitos deles eram ardentes e francos acerca de suas crenças. Do lado do meu pai, a maioria dos parentes eram ou Holiness ou pentecostais, e as reuniões de família geralmente se dividiam em discussões acaloradas sobre a santificação plena e o falar em línguas. A família de minha madrasta incluía pentecostais e cristãos reformados. Embora eles nunca discutiram abertamente sobre questões teológicas, me lembro bem que ambos os lados da família olhavam com uma certa desconfiança para a teologia do outro. Meus parentes da Igreja Reformada Cristã do norte de Iowa não estavam tão seguros sobre o emocionalismo e a ênfase no livre-arbítrio entre aqueles de nós que sustentávamos e praticávamos o Pentecostalismo. Meus pais, tias e tios pentecostais – muitos deles pastores e missionários – claramente se admiravam de como calvinistas ferrenhos podiam ser cristãos evangélicos. E todavia todos amavam e aceitavam um ao outro apesar de suas diferenças teológicas.

No colégio da Bíblia, fui doutrinado contra a teologia reformada. A maioria de meus professores pentecostais e muitos dos oradores convidados nas capelas e assembleias ferventemente se opunham não apenas à eleição incondicional e à graça irresistível (a expiação limitada não valia nem a pena debater!), mas também à segurança eterna. Quando o evangelista pentecostal Jimmy Swaggart publicamente declarou que o Calvinismo é uma “heresia,” ele estava apenas tornando público o que muitos Holiness-pentecostais pensavam e ensinavam mais discretamente por anos.

Mas algo continuava incomodando minha mente, me fazendo duvidar da imagem extremamente negativa da teologia reformada que me passavam no colégio da Bíblia. Alguns de nossos livros escolares eram escritos por estudiosos calvinistas evangélicos. Um de nossos livros escolares era uma coleção de sermões de Charles Spurgeon. Enquanto no colégio da Bíblia, comecei a ler a revista Eternity e me apaixonei pelo grande professor presbiteriano evangélico Donald Grey Barnhouse – um pacífico calvinista cujos escritos também exigiam que lêssemos. A Eternity abriu para mim o evangelicalismo tolerante que incluía tanto arminianos quanto calvinistas. E então havia meus parentes reformados cristãos, cujas vidas e testemunhos eram tão apaixonadamente evangélicos quanto qualquer pregador zeloso completo.

Um ponto crítico em minha peregrinação espiritual e teológica aconteceu em um funeral. O pastor reformado cristão da tia Margaret, em Kanawha, Iowa, pregava um dos sermões mais evangélicos que eu já tinha ouvido. Ele desafiou todos os presentes a dar suas vidas a Jesus Cristo assim como Margaret tinha feito. A discrepância entre fé e prática finalmente irrompeu-se numa rebelião completa contra a polêmica anti-calvinista que eu tinha ouvido de líderes e professores pentecostais. Enquanto eu não podia concordar com todos os cinco pontos da TULIP calvinista – especialmente a eleição incondicional, a expiação limitada e a graça irresistível – eu sabia que a “barraca” do Cristianismo evangélico autêntico era maior e mais ampla do que eu tinha sido levado a acreditar. Essa convicção se fortaleceu enquanto bebia intensamente das fontes de teologia reformada evangélica por todos os meus estudos no seminário e na universidade.

Enquanto conservava minhas crenças arminianas, minha mente evangélica se expandiu e se aprofundou enquanto lia teólogos reformados como G. C. Berkouwer, Bernard Ramm, Donald Bloesch, J. I. Packer e Francis Schaeffer. Eles me mostraram novas dimensões das doutrinas de Deus e da salvação que estava faltando ou tinha sido obscurecida no Arminianismo de minha juventude e início de minha educação teológica: a diversidade misteriosa, santa de Deus; a soberania grandiosa de Deus sobre a natureza e a história; a completa impotência da humanidade para realizar qualquer bondade ou até mesmo decidir aceitar os benefícios do sofrimento e morte de Cristo à parte da graça.

Tenho aprendido desde então que estes temas não estão faltando na teologia arminiana clássica, mas eu tive que aprendê-los de evangélicos reformados. Eu saí de meus estudos teológicos convencido de que minha teologia arminiana, embora fundamentalmente correta, carecia de profundidade e que ela poderia ser enriquecida pela herança do Cristianismo reformado. Também sai convencido de que a teologia reformada – particularmente em suas formas mais consistentes – carecia da observação maravilhosa do amor universal de Deus por suas criaturas humanas tão evidentes na melhor de minha própria tradição arminiana. Eu estava convencido de que a comunidade evangélica precisa tanto de George Whitefield quanto de John Wesley, e que seus herdeiros precisam um do outro para atingir a beleza do equilíbrio.

Por algum tempo no começo de minha carreira como teólogo evangélico, eu tentei viver como um pacífico arminiano trabalhando tranquila e discretamente no mundo amplamente reformado da teologia evangélica prevalecente. Encontrei muitos companheiros arminianos ao longo do caminho que muitas vezes preferiam chamar-se a si mesmos de “moderadamente reformados” ou “calminianos”, e gradualmente foi ficando claro que para muitos – talvez a maioria – teólogos evangélicos fora dos círculos estritamente wesleyanos ou pentecostais, arminiano é uma palavra secreta para semipelagiano (a heresia da crença na iniciativa humana na salvação) se não “humanismo disfarçado”.

Um dia um amigo dirigiu-se a mim em particular e me perguntou com grande preocupação se meu arminianismo poderia ser evidência de um humanismo disfarçado em meu pensamento. Era para mim a primeira salva de artilharia em uma nova batalha pela mente evangélica no qual eu me encontraria preso no meio. Tenho visto uma declaração de princípios de ortodoxia evangélica por auto-proclamados “evangélicos confessos” – um de meus professores do seminário entre eles – que coloca limites que me excluiria junto com outros arminianos da comunidade evangélica. (Estes incidentes me fazem lembrar, quando jovem, da minha própria tradição Holiness-Pentecostalista que tendia a fazer o mesmo com a teologia calvinista). Uma nova ocorrência de conflito e exclusão sobre esta questão não pode servir qualquer propósito útil senão para dividir, excluir e enfraquecer a frágil unidade evangélica tão cuidadosamente construída e preservada durante as últimas cinco décadas.

Estou firmemente convencido de que os evangélicos arminianos e reformados precisam uns dos outros ainda que não tenho esperança de um meio termo híbrido ou consistente emergindo deles. Se isso fosse possível, teria acontecido há muito tempo atrás. Mentes brilhantes e biblicamente comprometidas têm trabalhado nestas questões de interpretações por centenas de anos sem chegar a tal combinação consistente. Não vejo problema se alguns evangélicos querem afirmar algo chamado “Calminianismo” – o que eu somente posso reconhecer como uma mistura evangélica paradoxal e portanto sem firmeza. E eu percebo que muitos cristãos evangélicos não se identificam especificamente nem com o Arminianismo nem com o Calvinismo.

Mas alguém ou crê que a graça é resistível ou crê que ela não é. Não pode ser ambos da mesma maneira ao mesmo tempo. Alguém ou crê que a eleição – um conceito completamente bíblico – é incondicional ou não. Não pode ser ambos da mesma maneira ao mesmo tempo. Alguém ou crê que a providência divina sobre a natureza e a história é meticulosa e absoluta ou não. Em algumas destas questões teológicas cruciais, sobre as quais a Bíblia fala frequentemente, alguém deve escolher um caminho ou o outro, e infelizmente, ou a Escritura não é inteiramente clara ou nossas mentes estão tão obscurecidas pela finitude e pela queda para chegar a uma resposta definitiva que possa ser imposta como a única possível interpretação para todos os que crêem na Bíblia.

Não temos escolha

Alguns de nós não podem deixar de ser arminianos porque quando lemos a Bíblia vemos como seu tema predominante o amor universal de Deus e seu desejo pela salvação de todos e pela inclusão de todas as pessoas em seu reino. Não o “humanismo disfarçado”, mas passagens como 1Tm 2:4; 2Pe 3:9, e Ez 33:11 (para não mencionar Jo 3:16,17!) nos convence de que Deus não exclui ninguém de seu amor e comunhão eterna por alguma pré-ordenação secreta e controle misterioso. Não a filosofia moderna, mas passagens como Lc 6:47 e 9:24, At 7:51 e Ap 22:7 nos convence de que aos humanos são dados o tremendo dom da liberdade para aceitar ou resistir a graça salvadora de Deus e o dom do Espírito Santo. Nada disso, entretanto, significa limitação da soberania de Deus ou um ganho meritório da salvação pelo esforço humano.

Nós arminianos clássicos – nem todo arminiano é um arminiano clássico – cremos que Deus poderia controlar tudo mas escolhe estar no comando ao invés de controlar tudo a todo instante. A auto-limitação de Deus não impugna a majestade e a soberania de Deus.

Também acreditamos com Jacob Arminius e John Wesley que a graça preveniente é a única base para a livre aceitação da graça salvadora de Deus. Sem ser anteriormente despertado, chamado e capacitado, todos os humanos são pecadores demais para escolher livremente aceitar a oferta de Deus da graça salvadora. Em nossa opinião, que a salvação é aceita livremente não invalida sua natureza como uma completa dádiva. Por compreender e fielmente comunicar o tema revelacional do amor e da graça universal de Deus, os arminianos devem ser elogiados e estimados.

Alguns evangélicos não podem deixar de ser reformados e calvinistas porque, quando lêem a Bíblia, eles vêem seu tema predominante como a majestade transcendente, o poder e o controle soberano de Deus. O exemplo clássico de Romanos 9-11 é prova suficiente para eles que a providência é absoluta e meticulosa e que a eleição é incondicional e a graça é sempre irresistível. Eles acham os mesmos temas e doutrinas ecoando por toda a Escritura, incluindo Isaías 6, Am 3:6 e 4:13, João 17 e Efésios 1.

Além disso, se a salvação é verdadeiramente um dom gratuito como Paulo ensina em Ef 2:8-10, de forma que ninguém que é salvo pode possivelmente se gabar, então, os calvinistas afirmam, ela deve ser dada à parte de qualquer atividade ou cooperação do lado do pecador para recebê-la. De outra forma, a pessoa redimida poderia gabar-se. O padrão do testemunho bíblico para Deus e seu plano providencial como percebido pelos cristãos reformados os força a reconhecer e confessar a pré-ordenação incondicional de todas as coisas sem limitação ou exceção. Por compreender e fielmente comunicar o tema revelacional da grandeza de Deus e da dependência humana, os calvinistas devem ser elogiados e estimados.

Ainda que estes dois grupos da comunidade evangélica não podem concordar – e parece improvável que qualquer um deles alguma vez persuadirá todos os outros a “converter” para o seu ponto de vista – eles podem e devem aceitar um ao outro como irmãos e irmãs em Cristo e reconhecer seus laços evangélicos comuns. Esta tem sido uma das forças da aliança evangélica do mundo pós-segunda guerra mundial. Para o bem maior do reino de Deus, cristãos biblicamente comprometidos, centralizados em Cristo, têm trabalhado juntos num espírito de respeito e aceitação mútuos para a propagação do evangelho e para o alívio do sofrimento humano apesar das diferenças de interpretação das doutrinas da eleição e providência. Seus inimigos comuns da acomodação ao secularismo e da flagrante heresia dentro das denominações reconhecidas têm fortalecido seu foco em sua crença comum na autoridade da Escritura, divindade de Cristo, salvação pela graça apenas, por meio da fé apenas, e outras grandes verdades da Bíblia e da fé cristã histórica. O espírito semelhante a Cristo do amor e da aceitação pacífica das diferenças de opinião sobre questões secundárias têm grandemente acentuado a influência desta aliança evangélica na sociedade.

Cada vez mais acusações imoderadas de quase heresia dentro da aliança evangélica sobre questões que concordamos em discordar pacificamente pode simplesmente minar e enfraquecer seu testemunho. Ao invés de dizer, “Vejam como eles amam uns aos outros!”, os não-evangélicos dirão, “Vejam como eles brigam e disputam entre si!”. Quem pode culpá-los?

A verdade importa, mas nem toda verdade importa igualmente. Algumas coisas nunca saberemos com certeza até que as lentes escurecidas sejam removidas e todos veremos “face a face”. Nesse meio tempo, precisamos aprender como respeitar e apreciar um ao outro em humildade enquanto defendendo nossas próprias interpretações preferidas das questões bíblicas debatíveis sobre a soberania divina, a eleição, o livre-arbítrio e a resistibilidade da graça.

Para esse fim eu desafio meus companheiros arminianos evangélicos a fazer como tenho feito: Bebam intensamente das fontes do pensamento evangélico reformado e elogiem os cristãos calvinistas por sua compreensão da glória de Deus e da completa graciosidade da salvação. Admirem e busquem imitar seu amor pelo pensamento cristão integrante e sua paixão por transformar a cultura. Evitem estereótipos e caricaturas do Calvinismo, pois eles não fazem juz à sua riqueza e profundidade. Todos os evangélicos devem à herança de Calvino, John Knox, Edwards, Whitefield, Spurgeon e Schaeffer.

A meus colegas evangélicos calvinistas, eu convido a dar a nós arminianos o benefício da dúvida: Ainda que vocês não possam ver como podemos entender Deus como “no comando” mas não “no controle” (soberano mas não todo-determinativo), entendam e aceitem que adoramos a Deus como majestoso, todo-poderoso e misterioso em beleza e poder. Percebam, ainda que não possam inteiramente entender, que nós arminianos afirmamos a salvação como uma dádiva completa da graça imerecida, ainda que ela deve ser aceita livremente. Leiam Arminius, Wesley, Miley, Dale Moody, Grider, Dunning e Oden. Todos afirmam sobre bases bíblicas que a eleição é condicional e a graça resistível, e todavia que a justificação é pela graça apenas por meio da fé apenas, livre, completa e imerecida.

Desde esse dia, no funeral da tia Margaret, tenho me associado com vários evangélicos reformados e aprendido a apreciar tanto eles como sua teologia ainda que permaneço convencido de minha própria perspectiva tanto biblicamente quanto logicamente. Tudo que eu peço é que eles retribuam a gentileza e aceitam aqueles de nós que somos seus irmãos e irmãs evangélicos na fé apesar de sua própria convicção da superioridade de sua teologia.

Certamente podemos aprender a trabalhar e testemunhar e adorar juntos novamente como fizemos no passado. Até John Wesley e seu companheiro calvinista George Whitefield refizeram sua amizade antes que morreram. Wesley pregou no funeral de Whitefield. Foi tudo para a glória de Deus e seu reino eterno que ele fez.

Roger E. Olson
Fonte: arminianismo.com
Tradução: Paulo Cesar Antunes


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Roger E. Olson, editor conselheiro da Christianity Today, é autor de A História da Teologia Cristã (Editora Vida, 2000).





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quarta-feira, 3 de junho de 2015

O cristão e a Maçonaria

Por: Eber Cocareli
Título original: O que penso acerca da Maçonaria


A primeira coisa que desejo dizer é que lamento profundamente o fato de muitos irmãos se deixarem levar pelo brilho deste mundo e pela sedução dos mistérios e do poder. A Maçonaria não deixa de ser um exemplo perfeito destas armadilhas diabólicas. Entretanto, também afirmo que a melhor coisa a fazer pelos maçons é orar por eles, nos termos que a Palavra de Deus ensina quanto aos que estão totalmente cegados pela ação direta do inimigo: E ao servo do Senhor não convém contender, mas, sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor; instruindo com mansidão os que resistem, a ver se, porventura, Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade e tornarem a despertar, desprendendo-se dos laços do diabo, em cuja vontade estão presos (2Tm 2:24-26).

É bem verdade que a Maçonaria se arroga como sociedade benemérita..., e vê-la assim não é de modo algum errado. Contudo, em que pese todo o benefício que a Maçonaria proporciona com suas boas obras, a filosofia que está por trás dessa organização conflita direta e inescapavelmente com a Palavra de Deus. Não tenho como esgotar o assunto aqui, mas basta considerar o fato de que os maçons são exortados constantemente, a cada grau a que são guindados nos vários ritos da Maçonaria, a transformarem o mundo por meio de seu conhecimento secreto e das obras de caridade. Nada tenho contra os maçons não cristãos, mas não dá para entender como aquele que conhece a Palavra de Deus e tem comunhão com o Deus da Palavra possa submeter-se aos rituais, votos e objetivos de uma organização que se declara ser a verdadeira luz que transformará o mundo e redimirá o homem. Ora, essa tarefa já foi feita pelo Único Criador do Universo (e não meramente seu arquiteto), pelo Único Deus verdadeiro, o Senhor Jesus, o qual, incrivelmente, na ordem maçônica, está no mesmo nível de Confúcio, Platão e Maomé, entre outras seis personagens da história humana (conforme as nove colunas, segredo de um dos graus do Rito Escocês, Antigo e Aceito). O único fato que justifique a adesão de cristãos à Maçonaria está nas inegáveis vantagens materiais, nas honrarias e nos muitos privilégios exclusivos que os maçons garantem a eles mesmos. A ideia de que o maçom é humilde e sem ambição é conversa fiada pra fazer profano dormir (profanos são os não maçons, segundo eles, é claro).

Já estou até ouvindo os crentes maçons dizerem que muito pouco sei acerca da Maçonaria, o que não deixa de ser verdade. Meu conhecimento do assunto vem de longa e antiga pesquisa literária, amizades e de envolvimento pessoal com alguns maçons, dentre os quais aqueles que instaram comigo para que eu fosse iniciado. Mas ainda que tudo que eu soubesse sobre a Maçonaria se baseasse apenas nos muitos livros que li, a acusação de ignorância não se sustentaria.

Até hoje, nenhum cristão que leva a Palavra de Deus a sério e que tem vida no altar do Senhor publicou um livro sequer defendendo a Maçonaria e refutando os vários livros evangélicos que denunciam suas práticas ocultistas. Se, como alguns maçons alegam, tudo que foi publicado é "lenda", então por que eles mesmos não esclarecem tudo? A Bíblia diz que o filho de Deus anda na luz e que ela, a luz, mostra a verdade publicamente e sem medo. Os maçons se dizem iluminados pela “verdadeira verdade”, mas mantêm segredos a base de juramentos mortais e escondem o que aprendem e fazem na Loja Maçônica. Agem bem ao contrário do que ensinou o Senhor Jesus: O que vos digo às escuras, dizei-o a plena luz; e o que se vos diz ao ouvido, proclamai-o dos eirados (Mt 10:27).

Não tenho o direito de julgar o irmão que aceita fazer parte da Maçonaria, até porque essa, como qualquer outra decisão, vai depender da consciência, pois cada um responde por si diante do Senhor Deus (Rm 14:12). Quanto a mim, confesso que ponderei aceitar o convite que me foi feito insistentemente por alguns cristãos maçons, mas, após muita oração, resolvi que NÃO ME LIGARIA a tal sociedade. Enumero, resumidamente, minhas principais razões:

  1. Não preciso dela para ser aperfeiçoado como ser humano, uma vez que, para isso, tenho a mais perfeita e absoluta ferramenta elaborada diretamente pelo próprio Criador, a Palavra de Deus:

    "Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra" (2Tm 3:16,17)

  2. Não me submeteria a ser chamado de “profano em busca de luz” (conforme o ritual de iniciação para o grau de Aprendiz), uma vez que o próprio Senhor Jesus declarou que sou luz do mundo e sal da terra, isto é, como porta-voz do Evangelho eu é que tenho as respostas para os dilemas do ser humano, não a Maçonaria. Aliás, é meu dever como seguidor de Jesus deixar isso extremamente claro, tanto por palavras quanto principalmente por obras:

    "Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus" (Mt 5:13-16)

    "[...] para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo [...]" (Fp 2:15)


  3. Não me sentiria leal a meu Salvador, o Senhor Jesus, pois na ordem maçônica, Ele é igualado em todos os sentidos a outros líderes religiosos ou filósofos. Nas palavras de um de seus principais mentores (Pike), "Jesus não é o único a levar à verdade". Ora, todo cristão sincero sabe muito bem que Cristo é o único e exclusivo Salvador, Redentor e Caminho para Deus, sem absolutamente nenhum outro paralelo neste mundo ou noutro:

    "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim (Jo 14:6). E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos" (At 4:12).

    "Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai" (Fp 2:9-11)


  4. Não almejo os benefícios que a Maçonaria confere a seus integrantes, a saber, prestígio, poder, favorecimentos (inclusive com injustiça contra não maçons) e a solidariedade dos iludidos com os encantos deste mundo. Prefiro fazer como ensinou o Mestre, acomodando-me às coisas humildes, pois:

    "Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" (Mc 8:36)

    "Nesse ponto, um homem que estava no meio da multidão lhe falou: Mestre, ordena a meu irmão que reparta comigo a herança. Mas Jesus lhe respondeu: Homem, quem me constituiu juiz ou partidor entre vós? Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui" (Lc 12:13-15)

    "A seguir, o Senhor contou a Parábola do Rico Insensato, que assim termina: Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus" (Lc 12:20-21)


Espero que você pondere sobre essas coisas e tire sua conclusão somente à luz da verdadeira luz, o Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus e Salvador.

Rev. Eber Cocareli
Fonte: ebercocareli.blogspot.com.br

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domingo, 7 de dezembro de 2014

Somos livres para escolhermos a salvação?

Por: Tassos Lycurgo
Título original: Somos livres para escolhermos a salvação? (Tempo, Livre-Arbítrio, Trindade, Amor e Salvação)


Da maneira que eu vejo o Cristianismo, os conceitos todos se correlacionam em um sistema perfeito. No nosso bate-papo de hoje, gostaria de expor a minha opinião sobre este tema tão delicado, que é, basicamente, o da relação entre a onisciência de Deus (Ele sabe quem será e quem não será salvo) e a nossa liberdade em optar ou não pela salvação.

Antes de expor a minha opinião, gostaria já de deixar claro que respeito integralmente os que pensam diferente, ou seja, que tem um entendimento diverso quanto à predestinação. Meu intuito não é mudar a opinião desses, mas sim o de mostrar como o Cristianismo é a visão de mundo mais articulada e fechada que existe, de maneira que, mesmo quando tratamos de temas delicados, é possível pelas evidências chegar a uma interpretação coerente dos conceitos presentes na Bíblia.

Feitas essas colocações iniciais, gostaria de começar o argumento pela característica da atemporalidade de Deus... Para isso, me referirei ao Big Bang. Ao fazer isso, quero dizer que tanto a Bíblia quanto a teoria mais moderna quanto à origem do Universo coincidem em um ponto: juntamente com o universo, foram criados o espaço, a matéria e o tempo.

Dessa maneira, vemos que a causa criadora de tudo o que existe no universo tem de ser atemporal, imaterial e não espacial, que são características de Deus, de acordo com as Escrituras.

A atemporalidade de Deus, em particular, é muito importante para que possamos entender uma questão que muitos cristãos tem, que é a seguinte: se Deus sabe o nosso futuro, como podemos ter livre-arbítrio? Muitos entendem que a onisciência de Deus é incompatível com a nossa liberdade em agir de uma forma ou de outra.

As pessoas que pensam assim argumentam que, independentemente de como ajamos, Deus já saberia qual seria a nossa escolha e, portanto, esta escolha não poderia ser verdadeiramente livre, já que é de prévio conhecimento de Deus.

A resposta para esta questão está exatamente no entendimento do que é ser atemporal. Antes de responder, já quero adiantar que ser atemporal não é ser eterno. O cristão salvo, ao morrer, vai ao Céu e viverá eternamente com Deus, mas não será atemporal. É que embora para o ser eterno o tempo nunca acabe, ele ainda está submetido à dimensão temporal. Em outras palavras, o ser, ainda que eterno, não pode subverter a ordem: passado, presente e futuro.

Deus, que é atemporal, vive fora o tempo e, portanto, não está submetido à ordem passado, presente e futuro. Por essa razão, Ele pode ver o futuro que você livremente escolheu. Em termos um pouco mais técnicos, podemos dizer que o que Deus tem do futuro é a ciência do que você, no exercício do seu livre-arbítrio, decidiu.

Você pode ainda perguntar: mas Deus já não sabe quem e quantos serão salvos? É claro que sim, mas isso não quer dizer que Ele escolheu uns e não outros. Isso quer dizer que Ele tem ciência (conhecimento) dos que livremente escolherão passar a eternidade com Ele. Cabe exclusivamente a nós fazermos por onde sermos salvos; a Deus coube, por meio de Jesus Cristo, possibilitar este caminho a qualquer um que queira.

Veja ainda que a nossa liberdade em escolher amar a Deus é central para que possamos oferecer a Deus o que Ele verdadeiramente busca de nós, que é o amor. Ora, como poderíamos amar verdadeiramente a Deus e, portanto, optarmos pela salvação, se não tivéssemos a real possibilidade de rejeitar esse amor?

Não há como fazer que outra pessoa ame, a não ser que ela possa não amar. O amor pressupõe a liberdade em escolher amar ou não amar. Em outras palavras, não se pode forçar alguém a amar. No máximo, pode-se forçar alguém a se comportar como se amasse, mas isso, conforme sabemos, não é verdadeiramente amor.

Assim, podemos dizer que o livre-arbítrio é um pressuposto do amor. Mas, você já parou para pensar o amor, por sua vez, é um pressuposto da Trindade? Explico. Sabemos que Deus da Bíblia é amor (1 João 4:8). Não é que Ele ame apenas, mas que Ele é em si amor.

Na realidade, esta é uma característica que diferencia a Bíblia de outros textos sagrados. No Corão, por exemplo, há noventa e nove formas de se referir a Deus, mas nenhuma delas é amor. Para a Bíblia, Deus é amor antes mesmo dade criar o mundo e os seres humanos. Mas como poderia isso ser possível, já que amor pressupõe uma relação, ou seja, alguém a ser amado?

Sabemos também que o amor, diferentemente da Santidade (outra característica de Deus), somente se realiza em uma relação com alguém a ser amado. Então, antes mesmo da criação de seres para serem amados, Deus enquanto amor sempre existiu na relação de amor entre outras pessoas. Mas, que pessoas seriam essas? Ora, falamos aqui das pessoas da Trindade: o Pai, o Filho (Logos) e o Espírito Santo, que se relacionando em amor, dão sentido à afirmação de que o Deus da Bíblia não apenas ama, mas é em si amor.

Aliás, é por ser amor que Deus fez o que fez. Somente um amor que fosse da essência de Deus, possibilitaria que o verso que resume o Evangelho fosse escrito:

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16)

Assim, vemos como os conceitos do Cristianismo se interrelacionam de forma harmoniosa, oferecendo o pano de fundo perfeito para que os seres humanos possam estar cada vez mais convictos de que o Deus Trino, que é em si amor, nos deu o livre-arbítrio para que pudéssemos livremente decidir quanto ao nosso futuro e optar pela salvação, para que possamos viver eternamente ao seu lado.

Para que você possa saber mais sobre o nosso posicionamento sobre este tema, convido-o agora a assistir ao curto vídeo abaixo, em que apresento os argumentos aqui expostos de forma um pouco mais detalhada.


Deus abençoe,

Tassos Lycurgo
Fonte: Defesa da Fé




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segunda-feira, 21 de abril de 2014

Demônios ou gafanhotos?

Por: Joed Monteiro
Título original: Os quatro demônios que controlam as finanças dos que não dão dízimos, verdade ou mito? (Joel 1:4)


"Os quatro demônios que controlam as finanças dos que não dão dízimos, verdade ou mito? (Joel 1:4)"

Onde está o capeta das finanças? Eu estou atrás do diabo do dinheiro, alguém sabe onde ele está? Ouvi uma pregação de um pastor que usa muito a rádio aqui em Limeira, dizer que existem quatro demônios que controlam as finanças das pessoas que não dão dizimo, então fiz questão de analisar o Códice de Leningrando para tentar achar estes capetas...

יֶ֤תֶר הַגָּזָם֙ אָכַ֣ל הָֽאַרְבֶּ֔ה וְיֶ֥תֶר הָאַרְבֶּ֖ה אָכַ֣ל הַיָּ֑לֶק וְיֶ֣תֶר הַיֶּ֔לֶק אָכַ֖ל הֶחָסִֽיל (Joel 1:4 WTT)

הַגָּזָם lagarta, הָאַרְבֶּה gafanhoto, הַיָּלֶק lacusta, הֶחָסִֽיל pulgão.

Quando a Bíblia diz: “E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra” (Malaquias 3.11), em lugar de “devorador” leia-se como sinônimo a palavra “gafanhoto”.

E o cortador e o migrador, o que são? São gafanhotos. Isso fica claro após a leitura de Joel 1.4. Uma melhor tradução seria:

"Aquilo que o gafanhoto roedor deixou, o enxame de gafanhoto comeu, aquilo que o enxame de gafanhoto deixou, o gafanhoto rastejador comeu, aquilo que o gafanhoto rastejador deixou o gafanhoto consumidor comeu".

Na ocasião, resumidamente, Judá havia acabado de ser devastada por uma praga de gafanhotos e o profeta Joel, inspirado, exorta o povo a se voltar a Deus em arrependimento, pois o juízo era iminente.

Mas aí os camaradas querem espiritualizar e afirmam que a nomenclatura supramencionada trata de classes de espíritos malignos que trabalham em desfavor daquele que não é dizimista.

Alguns vão ainda mais longe e afirmam que é uma classe de demônios que, para estar imune, não adianta orar, jejuar, santificar a vida... nada disso resolve. “Você só estará livre do devorador, do cortador e do migrador”, afirmam, “a partir do momento em que entregar seu dízimo”.

Os termos hebraicos descrevem diferentes espécies de gafanhotos ou insetos semelhantes, ou diferentes estágios de desenvolvimento da mesma espécie.

Quatro palavras diferentes para “gafanhotos " são usados neste versículo. Estas palavras representam diferentes fases de vida dos gafanhotos, ou se, sinônimos virtuais, estão sendo usados para enfatizar a gravidade dos danos causados pelas ondas implacáveis de invasão de gafanhotos.

A interpretação deste texto é que estas pragas foram reais no tempo de Joel, porém ele usou este acontecimento para profetizar a invasão dos gentios a Israel no tempo do fim, ou seja, a interpretação é escatológica. Pragas de gafanhotos descritos aqui simbolizam exércitos invasores que devastarão a terra.

Não existe nenhum demônio neste capítulo, onde está o demônio agora?



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