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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Evolução darwiniana e involução do jornalismo

Por Silvio Motta Costa

Em tom de reverência teológica, senão litúrgica, Veja (edição 2099, de 11/2/2009) dedicou várias páginas ao seu deus: Charles Darwin. O artigo pinta Darwin como um revolucionário; embora não fale explicitamente, sugere que Darwin está muito acima de qualquer outro cientista, como Newton, Pasteur, Von Braun, entre outros. O artigo afirma categoricamente que os argumentos por ele exarados foram definitivamente comprovados e aquilo que não foi está a caminho, ou seja, todas as pesquisas recentes da microbiologia, física quântica, bioquímica etc., "comprovam" que tudo que Darwin falou aconteceu.

Veja simplesmente ignora Michael Behe (que escreveu A Caixa Preta de Darwin), Bayle, o brasileiro Marcos Eberlin e outros grandes nomes da ciência moderna que questionam o modelo evolucionista. Em seu afã de defender seu deus (Darwin) e sua pseudo-igreja (a Ciência) dos "hereges", Veja usa até mesmo argumentos de Francis Collins, um dos principais mapeadores do DNA humano, um teísta declarado, que disse: "Usar ferramentas da ciência para discutir religião é uma atitude imprópria e equivocada. A Bíblia não é um livro científico. Não deve ser levado ao pé da letra".

Se você leu o livro de Collins e se leu suas declarações por inteiro, entende que a Bíblia realmente não é um livro científico, mas a ciência apenas comprova um Criador, um Deus verdadeiro. Essa fala de Collins em nenhum momento sugere, como Veja tenta fazer crer, que a Bíblia é um livro fantasioso e sem credibilidade.

Quem questiona é retrógrado

A revista cita a angústia de Darwin com sua própria teoria, pois ele foi religioso por muito tempo; diz que biólogos viram a evolução ocorrer em tempo real em Galápagos. Mas a verdade é que mutações ocorrem em tempo real em Galápagos e em qualquer lugar, mas em nenhum momento os "tentilhões galapaguianos" chegaram a tornar-se papagaios ou outro bicho qualquer. No início do século 20, Thomas Hunt Morgan já havia estudado 500 gerações seguidas da mosca drosophila, que apresentaram grandes variações genéticas, mas não chegaram a se transformar em nova espécie, assim como os tentilhões de Galápagos, que ainda não viraram papagaios ou "papagalápagos".

Veja ignora que muitos cientistas são criacionistas e que muitos outros não são criacionistas, mas rejeitam o darwinismo por razões estritamente científicas (como o supracitado Michael Behe). Outros ainda são darwinistas que afirmam que o darwinismo não está respondendo às questões que se propôs responder.

A revista pinta de forma exagerada, insidiosa e irresponsável um conflito entre ciência e religião, como se todas as pessoas religiosas fossem fanáticas e medievalistas; como se todas elas tivessem ódio ao darwinismo por ser ateísta. O artigo dá a entender que um sujeito religioso rejeita que ocorre seleção, quando, na verdade, isso é amplamente aceito por cristãos esclarecidos. Diz também que os cristãos rejeitam qualquer aspecto científico sobre o qual a Bíblia não fala. É outra falácia. Cristãos crêem que a Bíblia não é um compêndio científico e buscam na ciência compreender o Criador e Sua obra em matérias a respeito das quais a Bíblia nada menciona.

Um artigo à página 88 admite que fé e ciência já dialogaram, mas esse diálogo foi superado, pois "atraso mesmo está na aceitação literal da Bíblia em questões científicas". Admite que cientistas têm limites, mas, apesar desses limites, tudo que a evolução prega é verdadeiro; logo, quem a questiona é retrógrado, especialmente se o fizer por razões religiosas.

Igreja coloca-se "em seu lugar"

Involução (retrocesso) do jornalismo mais fraco. No dia 22 de janeiro deste ano, a sede do jornal Correio Popular, em Campinas, sofreu um atentado à bomba. Por sorte, conseguiram tirar o artefato antes que explodisse. Atentados a jornais e revistas ocorreram muitas vezes nas ditaduras pelas quais o Brasil passou e estão acontecendo com freqüência assustadora em jornais de pequeno e médio porte. Jornais estão sendo ameaçados também juridicamente, pois muitos juízes corruptos sentem-se incomodados com a imprensa.

O lamentável é quando um órgão de imprensa que deveria ser o defensor por excelência da liberdade de opinião luta contra essa cláusula pétrea do Estado de Direito que cada cidadão deve defender. Veja diz:

"Em sua profissão de fé, eles [os que têm fé religiosa] têm o direito de acreditar que Deus criou o mundo e tudo o que existe nele. Coisa bem diferente é querer impingir [apresentar outras opiniões aos outros é impor] essa maneira de enxergar a natureza às crianças de idade escolar, renegando fatos comprovados [será??] pela ciência. Essa atitude [fazer o uso pleno da liberdade de expressão e opinião, discordando inclusive da maioria] nega às crianças os fundamentos da razão, substituindo-os pelo pensamento sobrenatural [a revista insiste em que o fato de alguém crer no sobrenatural faz desse alguém um idiota]."


Veja elogia a Igreja Católica: "A Igreja Católica aceitou há bastante tempo que sua atribuição é cuidar da alma de seu 1 bilhão de fiéis e que o mundo físico é mais bem explicado pela ciência", e completa citando o congresso evolucionista promovido pelo Vaticano em março do ano passado.

Aí temos um fato a questionar. A Igreja Católica perseguiu cientistas e agora tenta acalmá-los colocando-se submissa a eles; a Igreja também atribuiu a si, no passado, cuidar apenas de religião, enquanto a África era massacrada pela deportação e escravização de sua população; silenciou sobre o massacre indígena no novo mundo e ficou cuidando de religião; a Igreja também vem combatendo a pesquisa de células-tronco em nome da fé; a Igreja (juntamente com outras igrejas cristãs) se manteve quieta com Hitler cuidando de religião; nas várias ditaduras impostas aos povos latino-americanos, a Igreja ficou eu seu lugar e os caudilhos gostaram muito disso. O fato de uma igreja colocar-se "em seu lugar", permitindo a opressão, é algo a se lamentar. No caso, quando uma igreja se submete ao status quo do momento, e esse status quo pressupõe a supressão de um direito básico – o de livre expressão de conceitos e idéias – um órgão de imprensa responsável deve lamentar e não elogiar.

"Arriscar" todas as possibilidades

Veja abriu espaço para os dissidentes, não para mostrar o outro lado da moeda, mas para lamentar o fato de eles existirem, pois o importante é o pensamento único.

À página 84, um artigo lamenta que em escolas confessionais "Darwin é só mais uma teoria", ignorando que para muitos cientistas (não-cristãos, inclusive) o darwinismo é uma teoria ultrapassada, e negando o fato de que muitos cientistas de renome questionam essa teoria; coisa que não ocorre com a teoria da relatividade de Einsten, por exemplo.

Veja insiste em repetir em várias de suas páginas que os cristãos estão insuflando uma luta irracional contra o darwinismo, quando o que ocorre é bem o contrário. Cita a lei da Louisiana que obriga incluírem-se teorias paralelas ao darwinismo para "ajudar o professor a criar nas escolas um ambiente que promova o pensamento crítico, a análise objetiva das teorias científicas... deve-se incentivar os alunos a analisar com objetividade as teorias estudadas". Ora a lei foi feita porque as crianças estão sendo forçadas a se submeter-se ao pensamento único, e os pais querem que os filhos conheçam outras idéias. A revista se esquece que lá sempre houve pessoas que lutaram ousadamente por esse direito.

Veja se alegra com o fato de o filme criacionista Expelled ter sido massacrado pela crítica. Mas vale lembrar que a crítica também massacrou o filme JFK. Mesmo assim, 90% dos norte-americanos acham que houve conspiração para assassinar o presidente Kennedy, como o produtor Oliver Stone sugere no filme. A semanal lamenta também que os Estados Unidos, um país que bate todos os recordes científicos, estejam sendo "enredados" ao permitir outras idéias sobre as origens sejam expostas. O fato é que a grandeza dos Estados Unidos consiste justamente em permitir que se"arrisquem" todas as possibilidades, mesmo as não aceitas pela maioria.

Um dia sinistro

A revista insiste que as escolas religiosas podem ensinar criacionismo em aulas de religião, mas nunca em aulas de ciências; lembre-se de que para tudo dar certo a"religião tem que ficar em seu lugar". Nas ditaduras foi assim e tudo deu certo. Para que essa confusão de liberdade de expressão?

O Mackenzie refuta as críticas categoricamente, dizendo que é criacionista há 138 anos, e as escolas adventistas também têm esse enfoque há mais de um século. O Ministério da Educação nada pode fazer quanto a isso, mas quer que criacionismo apareça em aulas de religião e evolucionismo, em ciências, almejando, juntamente com a revista, o pensamento único. "A triste novidade", diz Veja, "é que, na maioria das escolas mantidas por confissões evangélicas, o criacionismo passou a ser ensinado também nas aulas de ciências e de biologia, dividindo território com o evolucionismo de Charles Darwin."

Nessa separação ciência-religião, Veja insiste: os retrógrados religiosos podem existir desde que aceitem que suas idéias fiquem com eles e não sejam debatidas com os outros. Isso é uma educação opressora; também nega a multidisciplinaridade que faz parte da pedagogia moderna. Ou seja, devem-se contrapor várias formas de saberes de conteúdos diferentes, não dividi-los em matérias "estanques".

Felizmente, existem muitas outras revistas e jornais para se ler porque ainda temos a liberdade de expressão e lutamos por ela. Embora os brasileiros tenham crenças diferentes, une-os a fé na liberdade plena. Se um dia tivermos o pensamento único que Veja quer, escolas serão fechadas por ditadores, grevistas serão massacrados pela polícia, jornais e revistas acabarão proibidos de circular por razões ideológicas ou políticas, juízes farão julgamentos subservientes aos caudilhos; áreas de reserva ambiental serão desmatadas porque os cientistas do poder não vêem nenhum dano ao bem comum (mesmo sem estudar o impacto ambiental); inocentes serão presos por subversão.

E as igrejas? As igrejas ficarão nos seus devidos lugares sem incomodar a ordem pública, apenas acalmando aqueles que sofrem as mazelas de uma ditadura que parecia o triunfo do bem.

Nesse dia sinistro, a revista Veja será também riscada do mapa e não poderá reclamar disso, pois o pensamento único que ela defendeu tão veementemente fechou a boca, bloqueou o computador, proibiu o jornalismo livre e independente que ela desprezou em seus dias gloriosos de liberdade, quando todos podiam expressar o que acreditavam incondicionalmente.


Silvio Motta Costa
Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br

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